SABER VIVER- Cora Coralina

Não sei… Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura… Enquanto durar

Anúncios

Natal em Copa e no Ibirapuera

Eu ando pelo calçadão e vejo os andaimes anunciando a chegada do ano novo. Shows, luzes e fogos…É bonito. As pessoas vêm de longe para ver, umas alugam por R$10.000,00 uma noite em um apê da orla  só para ver os fogos de perto.

Eu paro e, montada na minha magrela, observo. Me sinto como os pássaros do Ibirapuera. Eles todos, mais as árvores e os insetos devem odiar o Natal.

Os peixes(dizem que ainda há peixes), os peixes da Lagoa também. Um mês sem dormir! Um mês sem a escuridão da noite. Um mês insones. Doença essa de seres humanos.

Não odeio o Natal, mas gostaria que a festa fosse itinerante pra dar chance para quem mora longe se divertir sem sair de casa e para dar chance para  quem mora na mira da festa de ir dormir com um pouco mais de sossego.

Parece que sou mal humorada, não, não sou, acho lindas todas essas luzes, parecem um sonho, um parque, mas não deixo de pensar em quem está do outro lado. Ninguém pergunta para os pássaros se pode acender luzes nas suas casas, mas perguntar pra quê se eles não respondem? Só que não responder não significa consentir.  Na verdade, chegamos em um ponto em que não perguntam nem para quem pode responder. Devem dizer que quem não reclama é a minoria. Não sei.

Como dizia a minha avó: “Dois proveitos não cabem em um saco só” e dois desejos não podem habitar um mesmo coração. Pode sim, mas com maiores conflitos. E a festa é bonita. Sei lá como resolver. A festa é bonita, democrática. O único momento no mundo em que todos os seres humanos estão juntos por um mesmo propósito, mas e quem não é ser humano e não bebe champagne? Durmo com a pergunta que nem Copenhague quis responder.

Filosofia de guardanapo: “Sempre é mais fácil plugar no do outro.”

 

Cadernos Negros 32

Vai fazer uma semana que foi lançado Cadernos Negros 32, mas sempre é tempo de divulgar. CN 32 é uma antologia de contos de autores afro-brasileiros e nesse ano, a Moça do Segundo Andar (euzinha), também participou com o conto “Bandelê”. O trabalho é o resultado de uma seleção organizada pelos coordenadores do Quilombhoje.

“Criada na década de 70 por Cuti, Jamu Minka  e outros, a série Cadernos Negros vem se tornando um notável instrumento de visibilidade da literatura afro-brasileira.  Em suas páginas já foram publicados textos de autores de toda parte do Brasil. poduzido de form cooperativa e organizada pelo Quilombhoje, a série tem estimulado inclusive uma produção de literatura periféria e o surgimento de novos autores, sempre comprometidos com leitura humanizada e crítica da sociedade.”

Capa de Cadernos Negros 32

Autores de CN 32

Ademiro Alves (Sacolinha)- São Paulo/SP
Cristiane Sobral- Brasília/DF
Cuti- São Paulo/SP
Débora Almeida- Rio de Janeiro/RJ
Dirce Pereira do Prado- Limeira/SP
Elizandra Souza- São Paulo/SP
Fátima Trinchão- Campinas/SP
Fausto Antônio- Campinas/SP
Hélio Penna- Rio de Janeiro/RJ
Jônathas Conceição (in memoriam)- Salvador/BA
José Luanga- São Paulo/SP
Mel Adún- Salvador/BA
Michel Yakini- São Paulo/SP
Paulo Gonçalves- Recife/PE
Serafina Machado- Londrina/ PR
Sergio Ballouk- São Paulo/SP
Sidney de Paula Oliveira- São Paulo/SP
Valdomiro Martins- Porto Alegre/RS