Campanha

“Nós temos uma arma contra esse mal. Um botão. Somente um botão. Ah,se os 180 milhões de brasileiros desligassem essa televisão que nós temos, desligassem por um dia esse aparelho! Aí não veríamos as notícias manipuladas. Não veríamos a oposição com um rosto único. Poderíamos descobrir a quem interessa  derrubar ou manter governos. Poderíamos saber se querem acabar com a corrupção ou ter o seu monopólio. Poderíamos pensar em ter uma televisão- canais de informação- que nos informassem e nos contassem nossas histórias. Canais que não fossem isentos, porque o ser humano não é isento, é comprometido com as suas idéias. Não isentos, mas honestos. Teríamos a possibilidade de pensar canais de COMUNICAÇÃO que mostrassem o Brasil inteiro, não somente os produtos que devemos comprar. Ah, se os 180 milhões de brasileiros desligassem essa televisão que nós temos! Desligassem de suas cabeças…Aí sim, talvez pudéssemos pensar.Pensar melhor o Brasil.”

Trecho do espetáculo teatral “Bakulo-Os Bem Lembrados”, da Cia dos Comuns/RJ-2006

www.comuns.com.br

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olhar

Isso de ficar andando na rua observando tudo o que acontece as vezes dói. Dói muito ter sempre um olhar crítico. Queria eu as vezes me alienar, mas como se na segunda é criança presa, na terça é exército contra o povo, na quarta é menino cheirado de cola no ônibus, na quinta é corpo no lixão,e na sexta, e no sábado e no domingo é uma sucessão de eventos trágicos e vergonhosos sobre a vida de uma população cada vez mais encurralada pela sua condição social de preta, nordestina, pobre e favelada?  

Débora de Oliveira Almeida- atriz

leia também: http:// borboletaavoada.blogspot.com

Shuuuuu! Fala baixo que a segunda-feira chegou.

Charada

A moça,rodeada por brasileiros, cisma em falar em Inglês. Qual será o problema dela?

Registro de Ocorrência

Passou correndo e puxou a bolsa da madame.

Ela reagiu e levou um tapa.

Mais adiante foi agarrado por um cara que viu tudo.

A multidão seguiu e tascou a desaforá-lo.

Bandido!

Senta uma coça nele agora!

Leva pra DP!

A mulher, chorosa, chama o policial.

Vão todos para o batalhão da Hilário.

Ela cercada de testemunhas.

Ele, xinga, soca, chama de puta e desmente tudo.

Ela conta as vezes em que o viu marcando ponto na esquina.

Cercada de amigas, cercada de testemunhas, cercada de certeza.

Ele assume tudo.

E depois mete a cabeça dentro do capuz, olha para um lado e para o outro.

Bilhas grandes de uns olhos pequenos.

De longe todos o miram.

Enfim, a justiça será feita

E ele saberá quem somos nós.

Ele depõe, ouve sua sentença e é levado para o xadrez.

Esse com ninguém mais apronta.

Vai dormir no xadrez até a sua mãe aparecer.

Mãe?

Sim

Mas isso é um bandido!

É um bandido de 14 anos

Que já sabe muito bem o que faz.

O que faz com 14 anos.

Que já anda com arma na mão.

Mão de 14  anos.

Que conhece todos os palavrões do mundo.

Cheio de morte nas costas.

Que agride as pessoas que passam.

Que cheira cola em plena luz do dia

Que me chamou de puta e bateu.

Que está com a maldade no corpo.

Em um corpo de 14 anos.

 

 

quarta-feira

É um monte de gente que passa usando a mesma camisa. O garoto grita : “É hoje!” A caixa fecha a loja com pressa, não quer pegar o trânsito da entrada e nem o da saída. Um poodle passa com um boné do time. Só Deus sabe o quanto lhe custa andar com aquilo pendurado. Um mar de gente com as mesmas listras, bandeiras, cornetas e buzinas mais nervosas que o habitual. Alguém passa cantando o hino de um adversário que nem foi pra final. Despeito. Pra onde se olha só se escuta o nome de algum jogador. Dois amigos combinam onde vão tomar o chope e correm pra conseguir ir sentados no metrô.  “- Na última quarta alguém me sarrou.” Confessa um deles. Ingresso agora só com cambista. Deixa pra lá, tenho que assistir Almodóvar.

o país da garota do Jobim

Pessoas que parecem ter saído do caderno Ela

Ar meio blasé

A língua menos falada é a portuguesa

A cor que impera nos corpos é a rosa

Bolsas grandes

Penduricalhos

Parece que há pouco para se fazer

Brisa, sol, céu e ciclovia

Só um nome de supermercado

E o jardim pertence a Alah

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