Do segundo para o décimo quarto
30 out 2011 2 Comentários
A Moça do Segundo andar agora é a mulher do décimo quarto. Mudou. Mudou-se. Cresceu. Subiu alguns 20 lances de escada e agora usa o elevador sim. Não tem jeito.
O silêncio é maior, o bairro é menor. O vizinhos são muitos, mas ela ainda conhece poucos, somente a vizinha de porta.
A janela da sala foi substituída por uma porta de vidro que se abre para uma varanda de onde ela olha a lua e o planeta Vênus, avista a piscina, as quadras de jogos, o Pão de Açúcar e o bondinho do Morro do Alemão. A visão, assim como o corredor, se ampliou.
Agora ela tem uma cozinha onde cabem outras pessoas e uma área de serviço, um futuro escritório que funciona no momento como o quarto da bagunça, onde ela coloca tudo o que ainda não ganhou lugar desde a mudança. Dois banheiros e uma suíte e uma vontade imensa de voltar para casa no final do expediente.
A casa nova é como o vestido novo que toda hora ela quer experimentar, o brinquedo novo que quer brincar. A boneca nova que quer pentear.
As crianças são muitas na região, e ela já está fazendo amizade com todas. Aqui é assim: as crianças correm livres e emitem suas finas vozinhas em volume alto. E o vento, o vento canta na janela em noites de tempestade.
Só o tempo, esse ainda está lhe pregando umas peças. É tudo mais longe, mais engarrafamentos que ela já não estava mais acostumada e uma pá de gente que ela já não via. Balança cada hora pendendo para um lado, mas ver as nuvens do chão da sala e poder cultivar um jardim na varanda não tem preço.

out 30, 2011 @ 18:36:11
Evolução no campo físico e na alma!
out 30, 2011 @ 19:43:39
maravilhaaaaaaaa