é preciso limpar bem os baldes, tirar a água suja, esfregar lá no fundo e depois botar no sol pra não dar mofo. Depois, e isso é melhor no dia seguinte, a gente vai até a fonte, olha lá para o alto, onde dá para ver os espelhos d’água e reza uma prece, pedindo permissão para levar um bocado daquela vida pra casa. No terceiro movimento levantamos a saia na altura dos joelhos e nos ajoelhamos. Viramos o balde e deixamos a água entrar. Límpida, fresca, nova. H2O partículas de vida. Quando o balde está novamente cheio com aquela água cristalina olhamos o relfexo do sol e seus raios vindos lá de cima e agradecemos o milagre da renovação.
Ai, Rio…
De volta à terrinha dos prazeres, depois de uma semana de mares por todos os lados, parando em portos deixando e embarcando pessoas. Passeando por aí, eis que a Borboleta Avoada, a Moça do Segundo Andar e suas respectivas famílias retornaram à cidade dos malucos-beleza, a cidade da belezura e da desorganização, a cidade do calor e das emoções intensas, ao Rio de Janeiro. A saudade só conseguiu constatar o óbvio que a beleza consegue causar em olhos atentos ou nem tão atentos assim: o Rio de Janeiro é lindo! A visão do mar é estupenda! Ver as montanhas, o Pão de Açúcar , para uma carioca apaixonada voltar para casa é sempre emocionante. Elas suspiram e sentem vontade de chorar com a beleza. Olham para frente e depois para a água e exclamam: “O Rio de Janeiro continua lindo e a Baía de Guanabara continua suja.”
Rio sempre lindo de Janeiro
te adoro assim com és
linda, sensual,
rochas de curvas onde quero me atirar
me chateia a tua falta de educação
tua sujeira
e os maus tratos que recebes
mas quando te vejo assim
coloco-me pronta a te contemplar
olhar para você
é ter certeza que se conhece a beleza
(vou jantar, depois eu continuo)
SABER VIVER- Cora Coralina
Não sei… Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura… Enquanto durar
Natal em Copa e no Ibirapuera
Eu ando pelo calçadão e vejo os andaimes anunciando a chegada do ano novo. Shows, luzes e fogos…É bonito. As pessoas vêm de longe para ver, umas alugam por R$10.000,00 uma noite em um apê da orla só para ver os fogos de perto.
Eu paro e, montada na minha magrela, observo. Me sinto como os pássaros do Ibirapuera. Eles todos, mais as árvores e os insetos devem odiar o Natal.
Os peixes(dizem que ainda há peixes), os peixes da Lagoa também. Um mês sem dormir! Um mês sem a escuridão da noite. Um mês insones. Doença essa de seres humanos.
Não odeio o Natal, mas gostaria que a festa fosse itinerante pra dar chance para quem mora longe se divertir sem sair de casa e para dar chance para quem mora na mira da festa de ir dormir com um pouco mais de sossego.
Parece que sou mal humorada, não, não sou, acho lindas todas essas luzes, parecem um sonho, um parque, mas não deixo de pensar em quem está do outro lado. Ninguém pergunta para os pássaros se pode acender luzes nas suas casas, mas perguntar pra quê se eles não respondem? Só que não responder não significa consentir. Na verdade, chegamos em um ponto em que não perguntam nem para quem pode responder. Devem dizer que quem não reclama é a minoria. Não sei.
Como dizia a minha avó: “Dois proveitos não cabem em um saco só” e dois desejos não podem habitar um mesmo coração. Pode sim, mas com maiores conflitos. E a festa é bonita. Sei lá como resolver. A festa é bonita, democrática. O único momento no mundo em que todos os seres humanos estão juntos por um mesmo propósito, mas e quem não é ser humano e não bebe champagne? Durmo com a pergunta que nem Copenhague quis responder.
Filosofia de guardanapo: “Sempre é mais fácil plugar no do outro.”
Cadernos Negros 32
Vai fazer uma semana que foi lançado Cadernos Negros 32, mas sempre é tempo de divulgar. CN 32 é uma antologia de contos de autores afro-brasileiros e nesse ano, a Moça do Segundo Andar (euzinha), também participou com o conto “Bandelê”. O trabalho é o resultado de uma seleção organizada pelos coordenadores do Quilombhoje.
“Criada na década de 70 por Cuti, Jamu Minka e outros, a série Cadernos Negros vem se tornando um notável instrumento de visibilidade da literatura afro-brasileira. Em suas páginas já foram publicados textos de autores de toda parte do Brasil. poduzido de form cooperativa e organizada pelo Quilombhoje, a série tem estimulado inclusive uma produção de literatura periféria e o surgimento de novos autores, sempre comprometidos com leitura humanizada e crítica da sociedade.”
sob o domínio do nada
eu não quero fazer nada
e não sinto nenhum remorso por isso
só a conta que fica sem dinheiro no início do outro mês
visita que não vai embora
ela está na minha casa, dorme na minha cama e quando me abraça, nesse frio , ela não solta
não faz comida e não deixa nada pra mim
mas eu também não quero
eu quero dormir e ficar na internet
vendo nada
ai, preguiça que não passa
manual da produtora cultural
acabei de fazer essa coisa chata que é ficar preenchendo formulários e orçamentos. chega!
tecla apertada. enviado!
rima agora uma boa cerveja, um andar sem rumo no calçadão,
paqueradas na praia e um mergulho
sim, as ondas de copa me esperam
eu mereço um mergulho, cerveja e nadar pelada
eu mereço depois de tantos espaços em branco na folha do compurador
depois de tanto calcular espaços e caracteres
mas já são onze da noite
tá frio e o calçadão tá vazio
ah,
eu não compro cerveja pra minha casa
mas alguém equeceu uma latinha na minha eletrolux
vou tomar um porre de vinho e depois fazer coisinhas
coisinhas
coisinhas
…
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