sob o domínio do nada
eu não quero fazer nada
e não sinto nenhum remorso por isso
só a conta que fica sem dinheiro no início do outro mês
visita que não vai embora
ela está na minha casa, dorme na minha cama e quando me abraça, nesse frio , ela não solta
não faz comida e não deixa nada pra mim
mas eu também não quero
eu quero dormir e ficar na internet
vendo nada
ai, preguiça que não passa
manual da produtora cultural
acabei de fazer essa coisa chata que é ficar preenchendo formulários e orçamentos. chega!
tecla apertada. enviado!
rima agora uma boa cerveja, um andar sem rumo no calçadão,
paqueradas na praia e um mergulho
sim, as ondas de copa me esperam
eu mereço um mergulho, cerveja e nadar pelada
eu mereço depois de tantos espaços em branco na folha do compurador
depois de tanto calcular espaços e caracteres
mas já são onze da noite
tá frio e o calçadão tá vazio
ah,
eu não compro cerveja pra minha casa
mas alguém equeceu uma latinha na minha eletrolux
vou tomar um porre de vinho e depois fazer coisinhas
coisinhas
coisinhas
…
viagem
De todas essas coisas que me encatam
Chegar em casa é a melhor parte.
as coisas mudam de lugar II
Eles vão-se embora
E eu continuo seguindo o meu caminho
Andando pela rua
Charmeando pela praia
Sozinha na rua
Como a lua
E em paz
Algumas vezes
Parece que o céu vai car
E ele até cai
Chuvas ácidas
Granizos
E também cocô de pombo
Tudo cai do céu
Eu
Meus berros
Os pratos
As roupas
Não importa
Coisas caem do céu
E sobem vôo também
As coisas mudam de lugar
As pessoas perdem importância
E a roda continua girando
Só você, meu ex-amor
Que não volta
Que não cai do céu
Melhor
Se se jogar
Vou sair de baixo
E esperar que se esborrache
Ou morra
Atropelado por uma van
A vida é assim
As coisas mudam de lugar
E as pessoas
Vão perdendo importância
Se demitem
Do cargo de amadas
Abandonam
Sem aviso prévio
E as coisas vão se acomodando
Eu
Continuo pintando a rua
Com o salto do meu sapato
E escrevendo poesias
Que matam
Machucam
Preferia torcer teu pescoço
Mas prefiro fazer poesias
Prefiro um livro com meu nome
A um cárcere
De nada vale matar por amor
Morrer por amor
Melhor esperar outro
Que a fila anda
E o que vem depois
É sempre melhor
Que o anterior.
sábado em copa
Começou a chover na cidade maravilhosa e o céu parece um mangue sem caranguejos azuis.
As borboletas se escondem, e eu, na frente dessa tela iluminada, mais pareço com uma lagarta preparando o casulo.
Ta frio e a tarde de sábado anuncia um final de semana vazio.
Roupas no saco esperando a máquina, pés querendo pintar as unhas.
Detesto serviço doméstico, mas não gosto quando a casa está de pernas para o ar.
O vento entra pela janela, e até ele canta querendo ver o sol.
Copacabana não combina com isso.
Eu não combino com isso.
Lavo o cabelo, tomo café, preparo um sopa e espero um telefonema que prometa encomendar a noite de hoje.
Mesmo assim ,não quero sair de casa.
as coisas mudam de lugar
gosto de receber e presentear com flores
flores de verdade
flores que hoje estão vivas e que amanhã vão murchar
vão morrer
não me importo se elas vão murchar
não me importo se elas vão morrer
me importo se são flores
a vida é assim
hoje a gente ama
e amanhã esquece
e é esquecido
o doce deixa de salivar a língua
as mãos deixam de pedir
o calor gela
o coração não deixa de bater
e nós não mudamos o nosso nome
são as coisas
as coisas
as coisas mudam de lugar
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